domingo, 16 de outubro de 2011

Apenas um Lobo Solitário...


Tenho tudo e não tenho nada ao mesmo tempo. As primaveras vão passando, sempre trazendo a maldita consciência do arrependimento. Não abano a cabeça rejeitando tal pensamento, porque isso se tornou a modinha da década de 90. O famoso “Não me arrependo de nada que fiz” se aplica muito bem aos animais irracionais, àqueles que não precisam de prestar contas à ninguém, não precisam se preocupar com as conseqüências e mesmo se forem atingidos pelos próprios atos, se vangloriam de “marcas de guerra”.
Não! Absolutamente não! Fui treinado e instruído para fazer o meu melhor e nisso está incluso avaliar erros e acertos. Os arrependimentos vêm justamente desta análise, dando-nos experiência para que não tropecemos nos mesmos erros.
Quando perdi meu “Norte” fiquei rodando sobre os calcanhares em alta velocidade. Via flashes de uma história que felizmente posso dizer que já tenho, posso dizer que tenho coisas a contar da minha vida.
Decerto que a alegria aparece sempre de modo passageiro nesta estrada da minha vida. Tive grandes amigos. Amigos em nível de irmãos, mas que a vida tratou de tirá-los de perto, seja lá que motivo foi. Criou-se ferimentos que naquelas épocas eu não sabia o que eram, não entendia, mas que depois que foram cicatrizando, eu olhava com um sorriso de desdém para o golpe que a vida havia me dado.
E os golpes foram aumentando... E a carcaça foi ficando cada vez mais grossa. Hoje eu não vejo mais ninguém ao meu redor. À frente eu não vejo nada, é apenas um espaço em branco onde se colore a cada passo meu. Quando faço planos é mais no sonho do que na utopia, ainda que sejam cuidadosamente traçados, não tenho os mínimos recursos para empregá-los. Olho para os lados e vejo pessoas que aparecem e desaparecem de acordo com o tempo que dispõem para estarem presentes. E evito olhar pra trás, para que o saudosismo não me seduza, levando-me cada vez mais a períodos em que não posso estar.  E o sentimento de tristeza impera!